Vida e Morte
Categoria: Família

Foto: ofielcatolico.com.br/2004/09/a-morte-o-juizo-particular-e-o-juizo.html

A vida é um dom de Deus, porém estamos de passagem neste mundo, e a qualquer momento podemos perder alguém querido, alguém que amamos. Quem não perdeu é bom estar preparado, pois se algo certo na vida, é a morte.

Ao olharmos para a morte devemos valorizar a vida, como uma forma e oportunidade de nos prepararmos para a eternidade com Deus.

O próprio Jesus garante que é da vontade do Pai que não se perca nenhum daqueles que lhe deu, e que todo aquele que n'Ele crê tenha a vida eterna, e o ressuscitará no último dia (Jo 6, 37-40).

Como cristão católico, como encarar a morte, como lidar com a dor da perda?

Para os que crêem a vida não é tirada, mas transformada. Assim como a semente que, ao cair na terra morre e dessa morte brota a nova vida, cremos que a morte é a passagem para a ressurreição, a nova vida em Cristo.

O fundamento para nossa fé em torno da vida nova que começa na morte, está na ressurreição de Jesus Cristo.

Este é o ponto principal de tudo, Jesus venceu a morte e ressuscitou, esta certeza da fé descarta completamente qualquer idéia de reencarnação.

Deus ressuscitou seu filho Jesus, como nos exorta São Pedro: Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos(1Pd1,3-5).

Mas existe o purgatório o céu e o inferno?

O novo catecismo da Igreja Católica, nos coloca em base a dois fundamentos: primeiro é a bíblia; o segundo é o magistério da igreja.

Magistério da igreja é a tradição comum das comunidades, por isso vamos olhar para a bíblia e para o magistério. Quando rezamos o creio, dizemos: Creio na ressurreição dos mortos...

A igreja ensina que na hora da morte no momento em que fechamos os olhos toda a pessoa passa pelo chamado juízo particular.

O que é Juízo particular?

Afirma o Catecismo da Igreja Católica: "Cada homem, em sua alma imortal, recebe sua retribuição eterna a partir de sua morte, em um Juízo Particular feito por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos" (CIC 1051).

No Juízo particular a vida passa como um filme diante de nós, na hora da morte. Ninguém sabe se é por uma fração de segundos, mas a vida passa diante de nossos olhos. E, nesse juízo particular a pessoa vê toda a sua vida, mas a vê sob a luz da verdade. E á luz da verdade que é Cristo, vê quais os frutos teve o seu livre arbítrio.

Continua o Catecismo da Igreja Católica: "Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre" (CIC 1022).

Então, acreditamos que imediatamente após a morte a nossa alma já terá o seu destino eterno definido.

O céu, para aqueles que morreram em estado de beatitude, como por exemplo: Nossa Senhora e os santos. Cremos foram direto para Deus.

O purgatório para aqueles que estão destinados ao céu, mas antes tem de viver o estado de purificação.

E o inferno, para aqueles que não aceitam a salvação, concedida por Deus.

Existe um céu?

Filhos, ó céu é o anseio ultimo toda alma. O ser humano foi feito para ficar junto com Deus, então o que o céu é o estado de profunda comunhão com Deus, um estado de intimidade de amor com Deus. Jesus garante que na casa do Pai há muitas moradas e que iria nos preparar um lugar (Jo 14,2).

E o inferno?

O inferno existe sim, começa aqui e vai além.

Deus não condena ninguém ao inferno. O inferno é uma auto- exclusão da graça, é uma pessoa que no uso do seu livre arbítrio rompeu com Deus, em pecado grave e insistiu em permanecer no pecado grave.

Mas existem almas, pessoas que na hora da morte no juízo particular não romperam com Deus, ainda há muito que ser purificado e é bem nessa dimensão que existe o purgatório.

O que é o purgatório?

Purgatório não é lugar, mas um estado de purificação das almas após a morte. Nosso Catecismo ensina: "Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, estão certos da sua salvação eterna, todavia sofrem uma purificação após a morte, afim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu". (CIC 1030).

A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. (CICI 1031).

Biblicamente a crença na existência do purgatório encontra-se no Antigo Testamento, em 2Macabeus 12, 39-45.

O Novo Testamento faz algumas alusões sobre o purgatório (Mt 12, 31; Lc 12, 45-48.58-59)

A Igreja também viu uma figura do purgatório nos textos da Primeira Carta de São Pedro: "Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito". (1Pd 3,18-19; 4,6)

São Gregório Magno Papa e doutor da Igreja falou a respeito da existência do purgatório:"No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma Aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver cometido uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro". (dial. 4, 39)

São Josemaria Escrivá disse: "O Purgatório é uma misericórdia de Deus, para limpar os defeitos dos que desejam identificar-se com Ele". (Sulco, 889)

Por que rezar pelos mortos?

Este ensinamento apóia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis porque ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2 Mac 12, 46). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico (DS 856), a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos. (CIC 1032)

A respeito da oração pelos mortos diz o Didaqué (ou doutrina dos 12 Apóstolos): "Ao fazerdes as vossas comemorações, reuni-vos, lede as Sagradas Escrituras... tanto em vossas assembléias quanto nos cemitérios. O pão duro que o pão tiver purificado e que a invocação tiver santificado, oferecei-o orando pelos mortos".

E nos ensina João Paulo II: 'Orando pelos mortos, a Igreja contempla, antes de tudo, o mistério da Ressurreição de Cristo que nos obtém a vida eterna'.

Mas quem esta no céu não precisa de oração, e, quem esta no inferno sinceramente as nossas orações de pouco vão valer, mas aqueles que estão no purgatório, para estes sim devemos rezar.

Novamente, como razão porque devemos rezar pelos mortos, volta-nos o texto de Mateus, onde Jesus diz, quem pecar contra o espírito esse pecado não pode ser purificado nem neste século nem no século seguinte, é o que nos faz entender que pecados cometidos em vida podem ser purificados em séculos vindouros. (Mt 12, 31)

É daí que vem o fundamento de mandar rezar missas, pois assim podemos adiantar o estado de purificação dos que morreram.

Termino esclarecendo que a morte nunca foi vontade de Deus, ela entrou no mundo pelo pecado original. Deus fez seus filhos para a eternidade. A morte é uma contingência humana, faz parte da fragilidade do ser humano.

O Filho de Deus foi para a morte e depois Deus o ressuscitou. Deus nos fez para vivermos para sempre. Por isso a tristeza, a amargura e o desanimo, isso tudo é somente a vida que nos trás. Deus nos fez para vivermos em intimidade com ele. Nós somos feitos para sermos santos, como nosso Deus é Santo.


Ver

Se não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus
Categoria: Família

Outubro chegou!!!

E para muitas de nossas crianças, é um dos meses mais importantes, já que em vários lugares há festividades para se comemorar o "seu dia". Não que nos outros meses não seja lembrada, mas, especialmente, neste, para todos os lados em que se olha, há algo sugerindo uma comemoração. Nas escolas há uma semana especial só para elas, com brinquedos diferentes, piquenique, sessões de cinema, passeios... O comércio aproveita a data para fazer render um dinheirinho. Em casa, as famílias se reúnem para brincar com o que foi adquirido ou com brinquedos construídos e, fazem questão de resgatar a importância da infância, do brincar.

E na Igreja, a criança só é lembrada neste dia denominado "Dia das Crianças"? Não! A história das crianças na Igreja vem de muitos anos.

Por meio das passagens bíblicas, vemos Jesus afirmando que o Reino dos Céus é das crianças e para que entremos nele, precisamos ser como elas. Mas o que seria ser como uma criança? Seria voltar ao tamanho de criança apenas?

Padre Zezinho, de um modo especial, nos ensina que para ser como criança, é preciso "Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu!" Este é o segredo!

E em nossa Paróquia, este é o segredo ensinado. Escrevo, especialmente, sobre a experiência nas Missas com Crianças. Vocês bem sabem como é a criança: ou ela se interessa por algo ou simplesmente, ignora. Quanto tempo presenciei crianças indo à missa sem muito interesse, contando os minutos para comer pipoca. Porém, hoje é gratificante vê-las participar de cada serviço ao longo da missa, seja na Liturgia da Palavra, no Serviço do Altar, no cantar e tocar... Há um brilho inexplicável nos olhos de cada uma.

A criança tem o dom de contagiar, de reunir, de fazer os planos do papel acontecerem. Elas demonstram o quanto precisam ser crianças e crianças felizes. Ter uma infância saudável.

Foto: Coral da Missa das Crianças

Nós, adultos que somos, devemos ser responsáveis pelas boas referências, por mostrar-lhes na prática, valores essenciais para amar como Jesus amou. Portanto, somos chamados a formar bons cidadãos a partir da fé cristã, sendo exemplos vivos para cada um desses "toquinhos de gente".

Te convido a ser Igreja Viva, a trilhar caminhos de construção e fé. Vem ser criança!!


Ver

MÊS DA BÍBLIA: Para entender o livro de Miquéias
Categoria: Igreja em saída

O profeta Miqueias atuou entre 725 e 701 a.C., no reino do Sul, sobretudo no reinado de Ezequias. Ele era natural de Morasti, uma aldeia no interior de Judá, perto da cidade de Gat, cerca de 33 km de Jerusalém. Ele viveu em meio a uma realidade de conflitos e de sofrimento, especialmente da população camponesa, vítima dos grandes proprietários de terra e do exército.

Nesse contexto, o profeta, de maneira corajosa, denunciou as autoridades civis e religiosas que oprimiam os pobres, especialmente a população camponesa. Eis o seu grito contra os governantes de Jerusalém, a capital de Judá, o reino do Sul: “Vocês são gente que devora a carne do meu povo e arranca suas peles; quebra seus ossos e os faz em pedaços, como um cozido no caldeirão” (Mq 3,3).

A sua aldeia, Morasti-Gat, era marcada pela presença constante de militares e funcionários da corte de Jerusalém, que cometiam crimes de abuso de poder para cobrar impostos, recrutar camponeses e extrair seus produtos agrícolas. Guerras, violência, expropriação de terra e muito sofrimento é a realidade cotidiana da população camponesa, grupo que Miqueias chama de “meu povo”.

No tempo de Miqueias houve muitas guerras. Com Teglat-Falasar III (745-727 a.C.), a Assíria tornou-se um grande império, invadiu países e impôs pesados tributos sobre eles. Israel, desde 738 a.C., e também Judá, desde 732 a.C., passaram a pagar tributos para os assírios. Em 722 a.C., a Assíria invadiu Israel e destruiu Samaria. Milhares de israelitas buscaram refúgio em Jerusalém e em Judá. Jerusalém, nessa época, aumentou de mil para 15 mil habitantes.

Com aumento da população, houve maior produção, estimulando a ganância dos poderosos. Nesse período, o rei Ezequias centralizou o culto em Jerusalém, destruiu os santuários do interior e enfraqueceu a organização e a autonomia dos camponeses\as. O rei fortificou as muralhas de Jerusalém, e das cidades da fronteira, invadiu a filisteia e entrou em guerra contra a Assíria. Em 701 a.C., Senaquerib, rei da Assíria, invadiu Judá, destruiu 46 cidades fortificadas, cercou Jerusalém e exigiu a rendição de Judá (Mq 1,8-16, 2Rs 18,13-16). Mais mortes, mais tributos e mais trabalhos forçados para o povo!

Miqueias pode ter sido um agricultor, um ancião, representante de um lugarejo. Ele atuou como porta-voz das pessoas oprimidas contra o grupo dirigente: chefes, governantes, sacerdotes e profetas de Jerusalém (Mq 3,11). Ao contrário dos profetas da corte, ele não se deixou corromper pela ganância e pelo lucro, mas se autoafirmava como homem "repleto de força, do espírito de Javé, do direito e da fortaleza para denunciar a Jacó o seu crime e a Israel o seu pecado" (3,8).

Os capítulos 1-3 do livro de Miqueias foram escritos no fim do sec. VIII a.C. Período no qual a Palestina era dominada pelo império assírio. O texto apresenta a dura realidade do povo, esmagado pelos tributos entregues ao império e aos dirigentes de Judá. Além do mais, no dia a dia o povo era explorado pelos fazendeiros, militares e governantes de Jerusalém.

A vida da população camponesa estava ameaçada: perda da família, casa e terra. É a real ameaça da desintegração e perda da sua identidade familiar-comunitária. A vida de muitos povos hoje também é ameaçada. Que nós e nossas comunidades estejamos dispostos a renovar nossa aliança com o Deus da vida e junto com o povo caminharmos rumo a um novo êxodo. Que possamos realizar o apelo profético: "praticar o direito, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus" (Mq 6,8b).


Ver

+Artigos


  • Missas de Natal e Ano Novo 2016/2017 - Horários Leia...
  • Missa na Catedral São Dimas encerrará o Ano da Misericórdia na diocese Leia...
  • Comunidade São Cristóvão: 47 anos de vida e dedicação a Deus! Leia...
  • Entrevista - Frater Crispim Leia...